memeLab

BLOG

InCorpóreos convida a reconectar o corpo e as emoções

15 de abril de 2015Comente!

incorporeosComunicação cibernética e inteligência de dados são praticamente sinônimos de nossos tempos. Nunca se trocou tanta informação, com tanta rapidez, com tantos emissores. As distâncias entre as pessoas diminuíram por meio dos cabos de fibra ótica capazes de conectar bilhões pela internet. Mediado por gadgets, fios, redes wi-fi, o ser humano gradativamente prescinde do corpo para levar seus sinais para domínios insondáveis, onde pode encontrar uma ressonância até então inimaginável. Estamos em muitos lugares simultaneamente – e talvez em nenhum deles. Estaríamos nos tornando InCorpóreos?

Talvez o papel do corpo esteja entrando em cheque na atual dinâmica da comunicação cibernética – mediada por imagens e textos, que muitas vezes abreviam interpretações, atropelam limitações de idioma e nos quais a subjetividade dos interlocutores é traduzida em ideias. Neste contexto, os sinais e as expressões não-verbais, que vão além do que é possível depreender conscientemente, perdem espaço e o corpo, valorizado em algumas culturas como canal de apreensão do conhecimento intuitivo, se cala na mesma proporção em que se torna incapaz de ouvir.

Questionando essa lógica, a instalação InCorpóreos propõe uma conexão entre os participantes por meio dos sinais que seus corpos emanam, justamente trazendo à tona a  evidência de que há uma perspectiva subjetiva que tem muito mais a dizer. Utilizando tecnologia de monitoramento biológico como a usada em exames médicos, o projeto busca estimular um processo introspectivo de percepção do corpo como mecanismo complexo de troca de informações e conexões.

Ao interagir com a instalação, o participante tem a chance de investigar as interrelações entre o físico e o mental, que foram gradativamente deixadas de lado com a evolução da ciência moderna e da sociedade capitalista. Curiosamente, os aparelhos são aqui utilizados para criar a intimidade de uma conversa, o que fica suprimido quando muitos médicos preferem somente ler sobre seus pacientes em laudos e diagnósticos obtidos a partir dos sinais gravados, em vez de escutar as histórias que seus corpos acumulam.

Uma das principais noções que se propõe resgatar, a partir da vivência, é a inteligência do coração. Não metaforicamente ou somente no que se refere às emoções, mas de se perceber o próprio órgão como processador e produtor de informações. Responsável por gerar um campo magnético comparado ao do cérebro, o coração emite e capta ondas responsáveis por antecipar mecanismos de reação do organismo muito antes de que a consciência cognitiva seja capaz de tomar qualquer decisão.

Experiências com monitoramento orgânico e biofeedback (sinais fisiológicos captados e amplificados, então convertidos em informação compreensível) mostram que é possível, a partir da tomada de consciência dos fenômenos do corpo, elaborar a auto-regulação. Ao converter e projetar os dados capturados pelas leituras biológicas, InCorpóreos revela um reflexo do sentimento do participante, um espelho materializado das emoções humanas.

A partir disso, a ideia é que os participantes tentem também, conscientemente, manipular e interferir nos dados captados pelos sensores de batimentos cardíacos e ondas mentais. É um mecanismo lúdico de estimular o exercício de concentração e vontade, inspirado nos princípios e práticas de meditação. Isso pode servir para ajudar as pessoas a encontrarem estados de harmonia e viverem melhor, por exemplo. =)

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *