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Photolink Remix – Da imagem à mensagem

12 de abril de 2015Comente!

logo-photolinkPreste atenção como a forma como estamos nos comunicando pode sugerir que as imagens estão tomando lugar das palavras. Infográficos, memes, emoticons e emoji, gifs animados, vídeo. Um arsenal de recursos visuais para transmitir ideias, sensações, emoções, criando sentidos e atraindo magneticamente bilhões de olhos. Milênios depois de o ser humano deixar suas primeiras marcas nas paredes da caverna, voltamos ao começo para estabelecer uma outra maneira de nos comunicarmos.

Repassando – em fast-forward – a história da Comunicação por imagens, começamos aproximadamente em 30.000 a.C., com as pinturas rupestres. Mais à frente, nos anos 10.000 a.C., os registros passam a ser em petroglifos (gravados nas rochas), que mais do que um avanço técnico, revelam padrões mais complexos. Depois, viriam os pictogramas, que representam diretamente a realidade objetiva, e introduziram organização cronológica nas mensagens, por volta de 6.000 a.C. Não demorou muito a surgirem os ideogramas para transmitir ideias e conceitos abstratos. A escrita mesmo, uma manifestação visual da palavra falada, começa a aparecer em torno de 4.000 a.C.. Desde então, veio dominando a história e o pensamento como conhecemos…  e na década de 1980 d.C. aparecem os primeiros emoticons 😉

Esses pequenos sinais apareceram para respingar emoção no texto e ampliar o sentido. Até mesmo transportar para as linhas a personalidade do autor da mensagem. A ideia foi boa e foi crescendo, uma vez que as imagens viabilizam uma comunicação que transpõe limitações de idioma e facilitam o encontro/cruzamento de referenciais culturais. Algo muito adequado a uma realidade em que as fronteiras são cada vez mais diluídas e borradas por gente que estende contatos e relações independentemente da Geografia.

A internet e, desde o começo dos anos 2000, as mídias sociais proporcionaram um campo incrivelmente fértil para a comunicação imagética. Tanto que os apps sociais focados no conteúdo visual são os que mais ganham adeptos todos os dias. Em 2014, não foi preciso um ano inteiro para o Instagram crescer 50% e se tornar maior do que o Twitter, entrando 2015 com mais de 300 milhões de usuários. Mostrando que uma imagem vale bem mais do que 140 caracteres, as pessoas despejam mais de 70 milhões de fotos e vídeos na plataforma a cada dia. Outra rede para mobile e visual que se multiplica como coelhos é o Snapchat, aplicativo que encontra grande aderência especialmente entre quem tem menos de 25 anos. Nesse, são 400 milhões de fotos com “desaparecimento automático” (e muito sext por dia).

Não podemos falar de social sem mencionar o colossal Facebook, que lhe pergunta o que você está pensando, quando seus amigos querem mesmo é que você MOSTRE. Mesmo não sendo uma plataforma criada para compartilhamento de imagens, como as que vieram depois, recebe 300 milhões de arquivos visuais por dia, sendo este tipo de conteúdo o que gera mais engajamento, com 59% mais interação do que texto ou vídeo.

É nesse mundo que o Photolink Remix ganha corpo e resgata um espaço de interação fora da tela individual para a troca de imagens. Tecnicamente simples – é uma instalação elaborada com um conjunto de projetor, webcam, computador e acesso à internet – o projeto nasceu de uma percepção que vai além da dimensão lúdica de seus efeitos. É uma proposta de reflexão sobre o processo de comunicação contemporânea, cada vez mais não-presencial  e imagético. É ainda mais uma possibilidade de explorar esse fenômeno.

O Photolink Remix lança a luz do projetor sobre as pessoas, como a luz das fogueiras se lançava na antiguidade e na pré-história. As fotos deixam a marca de alguém, semelhante ao contorno da mão pintado na caverna. Só que o registro não e sólido, mas digital, e viaja no tempo e no espaço agora mesmo, via 3G e wi-fi.

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